sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PRESIDENTE PRUDENTE – 95 ANOS


Foto de Débora André

No dia de hoje, 14 de setembro, Presidente Prudente, a capital da Alta-sorocabana completa 95 anos com 210.393 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Cidade bonita, altaneira, que convive com seus problemas procurando solucioná-los, que mostra sua cara ao mundo, “exportando” gente competente nas mais diversas atividades.
Cidade que possui íntima relação com a história da Revolução de 1932 e me atrevo inclusive, a dizer que Presidente Prudente, está inserida no DNA do MMDC! A seguir me justificarei desta afirmação.


Em 1932, Presidente Prudente com apenas 15 anos de sua fundação, aderiu à Revolução Constitucionalista. Muitos jovens se alistaram, a exemplo do que ocorreu em todo o Estado. o povo apoiou incondicionalmente a participação prudentina e fatos heróicos foram inscritos na história da cidade.
O Batalhão Constitucionalista local era formado por voluntários de todas as classes sociais. Também dos sítios e fazendas vieram empregados e seus patrões, para se juntarem ao efetivo e irem ao campo de luta. Aproximadamente 1000 homens se juntaram pela causa Constitucionalista.
Talvez isso explique a valorização tão eloquente da Revolução de 1932, ainda tão nítida nos dias atuais, na cidade.
Nossa principal praça, é denominada 9 de Julho, o parque de Uso Múltiplo denomina-se Parque coronel Brisola – nome do comandante do batalhão aqui formado e várias ruas da cidade, foram batizadas com os nomes das vítimas fatais da Guerra Paulista!
Por falar em vítimas, oito homens dessa tropa morreram nos combates. Foram Nicolau Maffei, Casemiro Dias de Almeida, Firmino Ferreira Leão, Oswaldo José Barbosa, Dimas Maria, Manoel Gonçalves, "Amendoim" e Antônio Américo de Camargo Andrade.

Os oito heróis de Prudente na Revolução de 1932
Nicolau Maffei
Nicolau Maffei foi guindado a herói da Revolução Constitucionalista de 32, em reconhecimento à sua bravura, louvada até mesmo pelos adversários.
Funcionário da Prefeitura, ele se incorporou ao Batalhão de Presidente Prudente ficando sob as ordens do Coronel Miguel Brisola de Oliveira. Morreu dia 22 de setembro, no setor Itaporanga-Tibiriçá, ao ser atingido na cabeça por bala de fuzil. Foi sepultado em Ribeirópolis, pelos adversários, que lhe conferiram as honras militares.
Seu último combate foi assim descrito: Cercado e intimado a render-se, bradou: "Um paulista morre, mas não se rende", caindo, em seguida, sob o tiroteio inimigo. Era, naquele dia, o terceiro ferimento que recebia, pois às 8 horas, tinha sido atingido numa das mãos e às 10 horas, no peito. No entanto, continuou combatendo heroicamente.
Nicolau Maffei nasceu em Amparo-SP, em 26 de fevereiro de 1905. Era filho de André Maffei e Francisca Maffei. Casado com Mathilde Alves Maffei, tiveram um filho batizado com o nome de Nelson Tabajara Maffei, ainda de colo, quando ele seguiu para a guerra. Trabalhava como fiscal de tributos na Prefeitura de Presidente Prudente, licenciando-se para se engajar na tropa.
Firmino Ferreira Leão
Era sargento no Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente. Em 29 de setembro, nos últimos dias da revolução, combatia no município de Salto Grande, quando caiu morto por uma bala de fuzil. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Ourinhos.
Veterano da Revolução de 30, Firmino Ferreira Leão ganhara fama de valente nas frentes de combate. Natural de Pernambuco imigrou para Presidente Prudente, exercendo a atividade de oleiro nesta cidade, até alistar-se para a guerra de 1932. Morreu com 36 anos de idade.
Cassemiro Dias
Cassemiro Dias de Almeida incorporou-se ao Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente, dia 28 de julho e foi feito tenente. No dia 10 de agosto estava sob o comando do Coronel Pedro Dias de Campos. Em 8 de dezembro recebeu a missão de chefiar uma patrulha de reconhecimento, tombando perto de Serrinha, na linha de combate de Itaporanga.
Foi sepultado naquela localidade. Mais tarde, seus restos mortais foram trasladados para o cemitério da cidade de Fartura, onde nasceu e porque os moradores quiseram prestar-lhe homenagens por seu heroísmo.
Cassemiro Dias de Almeida nasceu em Itaborá, município de Fartura, em 1905. Era filho de Joaquim Venâncio Dias e Izabel de Oliveira Dias. Casado com Isaura de Freitas Almeida, tinha um filho de nome Osny, que ficou órfão. Em forte depressão pelo desaparecimento do marido, sua mãe faleceu um mês após a morte do pai.
O combatente possuía os irmãos Evilásio, Waldomiro, Carmem, Floriza, Olinda, Adair e Possidônio Dias de Almeida. Na revolução anterior, a de 1930, combateu como sargento reservista. Em Presidente Prudente exercia a atividade de dentista.
"Amendoim"
Bêbado contumaz, conhecido por todos em Presidente Prudente por suas andanças pelas ruas, foi assíduo freqüentador do xadrez da cadeia pública. Era um autêntico sem teto, indigente e descamisado, a quem estava reservado o destino e o posto de herói paulista e, por que não dizer? Brasileiro.
Alistou-se como voluntário. Nada tinha a perder: nome, sobrenome, filiação, nem ele e nem ninguém sabiam ou se lembravam. Tornou-se soldado e a farda, parece, revelou seu verdadeiro caráter, que somente não se mostrara antes por falta de oportunidade: valente e ousado, "Amendoim" em combate, lutando no Setor de Salto Grande. Indigente na vida, também o foi na morte. Não se encontraram traços de seu corpo, que abrigou uma alma simples, mas heróica.
Oswaldo José Barbosa
Alistado como voluntário, foi Incorporado à tropa e seguiu para a Frente Sul de Combate, como Segundo Tenente do Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente. Numa contenda corpo a corpo foi atravessado pela lâmina de uma baioneta, tombando mortalmente. Foi sepultado próximo a Taquari pelos inimigos, que o reconheceram como herói, conferindo-lhe as honras devidas ao posto e à bravura.
Oswaldo José Barbosa nasceu em 1902, em Santo Antônio do Rio Bonito da Conservatória, na Comarca de Valença, Estado do Rio de Janeiro. Era filho de José Joaquim Barbosa e de Margarida Coelho Barbosa. Tinha os irmãos: Antônio Joaquim, Hermínia, Júlia e Maria Barbosa. Casado com Magdalena Meneghetti, deixou uma filha pequena, Maria Aparecida. Ao se inscrever para a Revolução, trabalhava como telegrafista na estação local da Estrada de Ferro Sorocabana.
Manoel Gonçalves
De Manoel Gonçalves não se tem informações pessoais. Designado para a luta na Frente Sul, Setor de Ourinhos, não resistiu às condições de vida na frente de combate, sendo vitimado por uma pneumonia, que o matou, aos 29 anos de idade.
Dimas Maria
De Dimas Maria sabe-se somente que era vendedor ambulante nas ruas de Prudente. Foi um dos primeiros a se alistar, demonstrando sua valentia e patriotismo em campo de luta. Serviu sob o comando do tenente-coronel Miguel Brisola de Oliveira. Durante a retirada da tropa sitiada em Piraju, no fim de setembro, conduzindo uma metralhadora, Dimas Maria tentava atravessar o Rio Paranapanema, quando foi abatido a tiros. Seu corpo só foi encontrado dias depois, tendo sido sepultado no cemitério de Piraju.
Antônio Américo de Camargo Andrade
Sim, isso mesmo! Nosso herói CAMARGO era prudentino! Por esta razão afirmei que Pres. Prudente tem participação no DNA do MMDC. A letra C, nosso mártir Camargo era daqui.
Morreu dia 23 de maio de 1932, aos 31 anos de idade, na Praça da República, em São Paulo. Foi o primeiro prudentino a tombar em função da Revolução de 1932. O batalhão de Presidente Prudente ainda não tinha sido formado, até porque a revolução ainda não eclodira oficialmente.
A morte de Antônio Américo de Camargo Andrade, junto com seus jovens companheiros de luta, Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia e Drausio Marcondes de Souza, deram origem ao honroso símbolo nacional, que são as siglas M.M.D.C, (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo). Posteriormente, morreu outro jovem ferido no combate urbano em que Antônio Américo estava: foi Orlando de Souza Alvarenga que era de Muzambinho - Minas Gerais.
Nascido em 3 de dezembro de 1901, Antônio Américo de Camargo Andrade era filho de Nabor de Carvalho Andrade e Hermelinda Nogueira de Camargo. Casado com Inaiah Teixeira de Camargo, tiveram os filhos Cleto, Yara e Hermelinda. Eram seus irmãos: Cyro, Laura e Rita.

Foto do Museu Municipal de Pres. Prudente mostrando a bandeira da cidade, o desenho do Soldado constitucionalista sendo ameaçado pelo derrotista e a foto de alguns soldados reunidos.

O 18º.Batalhão da Policia Militar do CPI-8 marcou presença na solenidade comemorativa ao lado das autoridades, escoteiros, descendentes de ex-combatentes da Revolução Constitucionalista e convidados, na comemoração dos 80 anos da Revolução.

Em 9 de julho passado, diante da Catedral de São Sebastião e da Praça 9 de Julho, o público prudentino se concentrou para participar das comemorações deste ano. Presentes estiveram familiares do ex-combatentes de 1932, uma vez que a maioria deixou o mundo dos vivos e hoje, eles são apenas lembranças inesquecíveis e muita saudade. Entre os muitos veteranos já falecidos, lembro-me especialmente do Dr. Armando de Queiroz Telles. Ilustre advogado, professor de direito da Instituição Toledo de Ensino, entusiasta da causa revolucionária, extremamente agradável, pequeno em tamanho, enorme em coração. Sempre disposto a conversar, com fantástica memória até seus últimos dias, Dr. Queirozinho, como era carinhosamente chamado, nos deixou há poucos anos. Foi nosso último ex-combatente...
Que saudades Dr. Queiroz! Descanse em paz!

Tidos como heróis de uma Revolução Constitucionalista, os principais personagens do extinto Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente se reuniam todos os anos na festa comemorativa do dia 9 de Julho. Um deles - em especial - o Coronel Miguel Brisolla de Oliveira, então Cartorário e ex-Prefeito de três cidades (Presidente Prudente, Atibaia e Presidente Venceslau) se deslocava onde estivesse, para se reencontrar com ex-comandados em Presidente Prudente. Após as cerimônias públicas na Praça 9 de Julho, eles se reuniam no Gabinete do Prefeito para o cafezinho da manhã. Em seguida, se dirigiam ao Cemitério Municipal de São João Batista, a fim de reverenciar a memória dos mortos. E por fim, se programava um Almoço de Confraternização - com a participação de convidados - num Restaurante previamente escolhido por eles. Via de regra, nessa hora os ex-integrantes do BCPP concediam entrevistas e publicamente se pronunciavam, recordando pormenores históricos da Revolução de 1932.
Tenho saudades desta época que tive o privilégio de viver. Pena já ter passado!
Enfim, agora é nossa vez de preservarmos a memória destes prudentinos imortais, reverenciando seus atos e suas conquistas e defendendo nossos ideais a exemplo do que eles fizeram. Parabéns Presidente Prudente, Parabéns Estado de São Paulo!
Fontes consultadas:

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