quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Presidente Prudente e a Revolução de 1932



A cidade de apenas 15 anos aderiu à Revolução Constitucionalista. Muitos se alistaram, o povo apoiou incondicionalmente a participação prudentina e fatos heróicos foram inscritos na história da cidade.
O Batalhão Constitucionalista local era formado por voluntários de todas as classes sociais. Também dos sítios e fazendas vieram empregados e seus patrões, para se juntarem ao efetivo e irem ao campo de luta. Existe uma vasta relação da qual fazem parte:
Alcides Bohac, Alexandre Fernandes Filho, Adalberto Goulart, Alceu Barroso, Altair Werneck de Senna, Alexandre Salesiani, Anacleto Roberto Barbosa, "Amendoim", Alvino Gomes Teixeira, Anésio Pereira da Silva, Antenor Roberto Barbosa, Antônio Alves dos Santos, Antônio Seson Júnior, Antônio de Freitas, Antônio Francisco de Paula, Antônio José do Couto, Antônio Luiz de Arêa Leão, Antônio Marinho de Carvalho Filho, Antônio Pedro da Silva, Antônio Queiroz Sobrinho, Antônio Ribeiro, Antônio Barbosa Sandoval Filho, Antônio Sandoval Netto, Arlindo Piedade, Aristides Pinto Soares, Aristóteles de Oliveira Martins, Arthur Pesente, Aurelino Alves Coutinho, Bráulio Passos, Cândido Garcia, Casemiro Dias de Almeida, Cleophano Motta, César Maluf, Conrado Bohac, Clóvis Portugal, Coriolano Gomes Palmeira, Constantino Ferreira de Mello, Dario Arruda Mendes, Dimas Maria, Domingos Leonardo Cerávolo, Domingos Viana, Dorival Franco de Godoy, Dorival de Oliveira Brandão, Eliseu Prestes César, Evilásio Dias Almeida, Eurídice Penteado, Elisardo Mazini, Felício Tarabay, Floriano Barjas, Filadelfio de Oliveira Menezes, Firmino Ferreira Leão, Francisco Marques Filho, Francisco de Vivo, Francisco Esteves, Frederico Lopes da Silva, Frederico Picarelli, Gabriela Gianetti Godoy, Haroldo Barbosa, Isdêmolo Manfredi, Ivan Formozinho Ribeiro, Jacintho Ferreira da Silva, Jarbas Antunes de Araújo, João Alberto, João Ban, João Batista Tolosa, João Braz Mathias, João Franco de Godoy, João Gianetti Godoy, João Gomes Conceição Júnior, João Gomes Martins, João Gonçalves Foz, João Quintino Dias, João Pereira de Lima, Joaquim Ferreira de Oliveira, J. J. Florence, Joaquim Portugal, Joaquim Reinhardt Borges, Jordão Magalhães, José Alves Fernandes Pereira, José Azevedo Caboclo, José Cândido Teixeira, José Collarede, José dos Santos, José Eugênio da Silva, José Foz, José Gregório Martins, José Gusmão Rodrigues, José Lemes de Miranda, José Marques, José Machado de Almeida, José Mendes, José Peretti, José Vieira Diniz, Júlio Martins, Justiniano Carlos Rodrigues, Lauro Alberto Cleto, Luiz Antunes de Araújo, Luiz Bacco, Luiz Bacco Júnior, Luiz Ferraz de Mesquita, Luiz Roncale, Manoel Gonçalves, Mário Eduardo Ferreira, Maria Augusta Miranda, Manoel Lopes Filho, Mário Simões de Souza, Miguel Brisola de Oliveira, Nicolau Maffei, Octávio Gonçalves de Oliveira, Oscar Moura, Onésio Rezende Costa, Oscar Toledo César, Oswaldo Faria, Oswaldo José Barbosa, Oswaldo Benjamim, Paulo Marques, Paulo Kruger Soares Marcondes, Paulo Roque, Paulo Silveira, Pedro Alves de Oliveira, Pedro Cremonezi Filho, Rodolpho Corsi, Romeu Leão Cavalcante, Roggero Cersósimo, Rubens Maragliano, Sebastião Ferreira, Paulo de Tasso da Rocha Lessa, Severino Alencar Duarte, Tales Pimentel de Queiroz, Tauffik José, Tuffi Athia, Theudoreto Ferreira Gomes, Waldimir Bohac, Vicente Lara, Vicente Pereira Lara, Vicente Pereira Cerávolo, Vitório Bertorello.
Oito homens dessa tropa morreram nos combates. Foram Nicolau Maffei, Casemiro Dias de Almeida, Firmino Ferreira Leão, Oswaldo José Barbosa, Dimas Maria, Manoel Gonçalves, "Amendoim" e Antônio Américo de Camargo Andrade.
Os oito heróis de Prudente na Revolução de 1932
Nicolau Maffei
Nicolau Maffei foi guindado a herói da Revolução Constitucionalista de 32, em reconhecimento à sua bravura, louvada até mesmo pelos adversários.
Funcionário da Prefeitura, ele se incorporou ao Batalhão de Presidente Prudente ficando sob as ordens do Coronel Miguel Brisola de Oliveira. Morreu dia 22 de setembro, no setor Itaporanga-Tibiriçá, ao ser atingido na cabeça por bala de fuzil. Foi sepultado em Ribeirópolis, pelos adversários, que lhe conferiram as honras militares.
Seu último combate foi assim descrito: Cercado e intimado a render-se, bradou: "Um paulista morre, mas não se rende", caindo, em seguida, sob o tiroteio inimigo. Era, naquele dia, o terceiro ferimento que recebia, pois às 8 horas, tinha sido atingido numa das mãos e às 10 horas, no peito. No entanto, continuou combatendo heroicamente.
Nicolau Maffei nasceu em Amparo-SP, em 26 de fevereiro de 1905. Era filho de André Maffei e Francisca Maffei. Casado com Mathilde Alves Maffei, tiveram um filho batizado com o nome de Nelson Tabajara Maffei, ainda de colo, quando ele seguiu para a guerra. Trabalhava como fiscal de tributos na Prefeitura de Presidente Prudente, licenciando-se para se engajar na tropa.
Firmino Ferreira Leão
Era sargento no Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente. Em 29 de setembro, nos últimos dias da revolução, combatia no município de Salto Grande, quando caiu morto por uma bala de fuzil. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Ourinhos.
Veterano da Revolução de 30, Firmino Ferreira Leão ganhara fama de valente nas frentes de combate. Natural de Pernambuco imigrou para Presidente Prudente, exercendo a atividade de oleiro nesta cidade, até alistar-se para a guerra de 1932. Morreu com 36 anos de idade.
Cassemiro Dias
Cassemiro Dias de Almeida incorporou-se ao Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente, dia 28 de julho e foi feito tenente. No dia 10 de agosto estava sob o comando do Coronel Pedro Dias de Campos. Em 8 de dezembro recebeu a missão de chefiar uma patrulha de reconhecimento, tombando perto de Serrinha, na linha de combate de Itaporanga.
Foi sepultado naquela localidade. Mais tarde, seus restos mortais foram trasladados para o cemitério da cidade de Fartura, onde nasceu e porque os moradores quiseram prestar-lhe homenagens por seu heroísmo.
Cassemiro Dias de Almeida nasceu em Itaborá, município de Fartura, em 1905. Era filho de Joaquim Venâncio Dias e Izabel de Oliveira Dias. Casado com Isaura de Freitas Almeida, tinha um filho de nome Osny, que ficou órfão. Em forte depressão pelo desaparecimento do marido, sua mãe faleceu um mês após a morte do pai.
O combatente possuía os irmãos Evilásio, Waldomiro, Carmem, Floriza, Olinda, Adair e Possidônio Dias de Almeida. Na revolução anterior, a de 1930, combateu como sargento reservista. Em Presidente Prudente exercia a atividade de dentista.
"Amendoim"
Bêbado contumaz, conhecido por todos em Presidente Prudente por suas andanças pelas ruas, foi assíduo freqüentador do xadrez da cadeia pública. Era um autêntico sem teto, indigente e descamisado, a quem estava reservado o destino e o posto de herói paulista e, por que não dizer? Brasileiro.
Alistou-se como voluntário. Nada tinha a perder: nome, sobrenome, filiação, nem ele e nem ninguém sabiam ou se lembravam. Tornou-se soldado e a farda, parece, revelou seu verdadeiro caráter, que somente não se mostrara antes por falta de oportunidade: valente e ousado, "Amendoim" em combate, lutando no Setor de Salto Grande. Indigente na vida, foi-o também na morte. Não se encontraram traços de seu corpo, que abrigou uma alma simples, mas heróica.
Oswaldo José Barbosa
Alistado como voluntário, foi Incorporado à tropa e seguiu para a Frente Sul de Combate, como Segundo Tenente do Batalhão Constitucionalista de Presidente Prudente. Numa contenda corpo a corpo foi atravessado pela lâmina de uma baioneta, tombando mortalmente. Foi sepultado próximo a Taquari pelos inimigos, que o reconheceram como herói, conferindo-lhe as honras devidas ao posto e à bravura.
Oswaldo José Barbosa nasceu em 1902, em Santo Antônio do Rio Bonito da Conservatória, na Comarca de Valença, Estado do Rio de Janeiro. Era filho de José Joaquim Barbosa e de Margarida Coelho Barbosa. Tinha os irmãos: Antônio Joaquim, Hermínia, Júlia e Maria Barbosa. Casado com Magdalena Meneghetti, deixou uma filha pequena, Maria Aparecida. Ao se inscrever para a Revolução, trabalhava como telegrafista na estação local da Estrada de Ferro Sorocabana.
Manoel Gonçalves
De Manoel Gonçalves não se tem informações pessoais. Designado para a luta na Frente Sul, Setor de Ourinhos, não resistiu às condições de vida na frente de combate, sendo vitimado por uma pneumonia, que o matou, aos 29 anos de idade.
Dimas Maria
De Dimas Maria sabe-se somente que era vendedor ambulante nas ruas de Prudente. Foi um dos primeiros a se alistar, demonstrando sua valentia e patriotismo em campo de luta. Serviu sob o comando do tenente-coronel Miguel Brisola de Oliveira. Durante a retirada da tropa sitiada em Piraju, no fim de setembro, conduzindo uma metralhadora, Dimas Maria tentava atravessar o Rio Paranapanema, quando foi abatido a tiros. Seu corpo só foi encontrado dias depois, tendo sido sepultado no cemitério de Piraju.
Antônio Américo de Camargo Andrade
Morreu dia 23 de maio de 1932, aos 31 anos de idade, na Praça da República, em São Paulo. Foi o primeiro prudentino a tombar em função da Revolução de 1932. O batalhão de Presidente Prudente ainda não tinha sido formado, até porque a revolução ainda não eclodira oficialmente.
A morte de Antônio Américo de Camargo Andrade, junto com seus jovens companheiros de luta, Mário Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia e Drausio Marcondes de Souza, deram origem ao honroso símbolo nacional, que são as siglas M.M.D.C, (Martins, Miragaia, Drausio e Camargo). Posteriormente, morreu outro jovem ferido no combate urbano em que Antônio Américo estava: foi Orlando de Souza Alvarenga que era de Muzambinho - Minas Gerais.
Nascido em 3 de dezembro de 1901, Antônio Américo de Camargo Andrade era filho de Nabor de Carvalho Andrade e Hermelinda Nogueira de Camargo. Casado com Inaiah Teixeira de Camargo, tiveram os filhos Cleto, Yara e Hermelinda. Eram seus irmãos: Cyro, Laura e Rita.

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